Dulce Nunes (1929-2020)

Dulce Nunes

Faleceu em 04.06.2020 a compositora, cantora, produtora musical e decoradora Dulce Nunes, nome artístico de Dulce Pinto Bressane, nascida no Rio de Janeiro em 11 de junho de 1929 (segundo informação do jornalista Renato Vieira). Pouco lembrada nos tempos atuais, não mereceu (ainda) nem uma notícia nos grandes portais, fica aqui o registro.

Depoimento de Renato Vieira em post no Facebook:

Dulce Nunes morreu ontem à noite, aos 90 anos. Foi uma mulher à frente de seu tempo e importantíssima na história da cultura do Brasil. Foi atriz, cantora e sua casa foi ponto de encontro daqueles que começavam uma tal de bossa nova nos anos 1950. Esta foto é o registro de uma tarde inesquecível que passei com ela, entrevistando-a para o livro sobre a gravadora Forma, pela qual gravou o primeiro disco. Saí de lá achando que quem merecia o livro era a própria Dulce, depois de me contar sua história de vida e de relembrar três amores: Bené Nunes, Millôr Fernandes e Egberto Gismonti – este já disse que Dulce foi responsável por tirar dele o “quociente de burrice que todo homem tem”. Era uma pessoa muito generosa e fica aqui minha homenagem a ela.

Na foto (do post de Renato Vieira), Dulce segura o Troféu Euterpe de 1965, que ganhou como melhor cantora daquele ano. Venceu Elis Regina e Elizeth Cardoso, as outras concorrentes.

No Dicionário Cravo Albin (que registra 1936 como ano de nascimento da cantora):

Iniciou sua carreira como atriz, nos anos 1950, estrelando os filmes “Estrela da manhã”, do diretor Jonald de Oliveira, e “O noivo da minha mulher”, esse último uma produção italiana.

Foi casada com o pianista Bené Nunes, de 1956 a 1965. Eram constantes as reuniões realizadas em sua casa, onde recebia os compositores e intérpretes da bossa nova.

Participou do musical “Pobre menina rica”, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, gravando a trilha sonora original, lançada em disco, em 1964, com Carlos Lyra, Moacir Santos e Telma Soares, e com arranjos de Radamés Gnatalli.

Em 1965, após separar-se de Bené Nunes, começou a cantar em público, participando de shows com Baden Powell e apresentando-se em televisão e teatros. Nesse mesmo ano, participou do Festival Nacional de Música Popular Brasileira (TV Excelsior), classificando-se entre as 10 finalistas com sua composição “O jangadeiro” (c/ João do Vale), interpretada pelo cantor Catulo de Paula.

Em 1966, lançou o LP “Dulce” (Forma), interpretando composições de Antonio Carlos Jobim, Carlos Lyra, Vinicius de Moraes, Baden Powell e Ruy Guerra. Foi acompanhada, nessa gravação, por Baden Powell e o quarteto de cordas de Peter Daulsberg, com arranjos de Guerra Peixe. Por esse disco recebeu, no Teatro Municipal, o prêmio “Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”, promovido pelo “Correio da Manhã”, como a Melhor Cantora do ano. O LP foi considerado, em citação de Silvio Tulio Cardoso, do jornal “O Globo”, como um dos melhores discos do ano.

Em 1967, participou, como cantora e compositora, do II Festival Internacional da Canção (Rede Globo), com a música “O amanhecer” (c/ Ruy Guerra).

Em 1968, gravou o LP “O samba do escritor”, registrando composições próprias, em parceria com vários escritores. O disco contou com a participação de Nara Leão, Edu Lobo, Gracinha Leporace, Joyce e o conjunto vocal Momento Quatro, além de arranjos de Luiz Eça, Oscar Castro Neves e o lançamento de Egberto Gismonti, como arranjador e instrumentista.

Tom Jobim, Ari Barroso, Dulce Nunes e Dorival Caymmi

Em 1969, participou, como cantora, do LP “Egberto Gismonti”, primeiro disco do instrumentista e compositor, com quem foi casada de 1968 a 1976.

Leia mais clicando aqui.

Trecho de artigo de Ricardo Dias no IMMub:

Dulce era casada com Bené Nunes, um grande músico que foi dos primeiros a abrir suas portas para o nascente movimento. Parece que estava fadada a protagonizar questões de vestuário, pois emprestou, do guarda roupa do marido, o suéter que João vestiu na capa do LP Chega de Saudade (Ronaldo Bôscoli contou história diferente para Ruy Castro. Acredito mais na Dulce. Polêmica! Polêmica!). Tempos depois, João Donato ia para os EUA. Foi se despedir, usando um terno fininho da Ducal e Dulce, preocupada e gentil como é até hoje, ofereceu o tal suéter para que ele não passasse frio. Quando seu xará Gilberto soube se enfureceu, aquele suéter era um patrimônio de uso exclusivo dele…

Dulce quis um violão e Bené soube que um grande amigo estava justamente vendendo um, então foram à casa dele comprá-lo: um tal de Garoto, que fascinou a jovem Dulce com harmonias e solos que ela jamais tinha visto no instrumento.

Leia o texto completo clicando aqui.

Publicidade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s