Januário de Oliveira (1940-2021)

De acordo com o site do Globo Esporte, morreu em 31.05.2021, aos 81 anos, o ex-locutor de rádio e TV Januário de Oliveira, após 11 dias internado:

Ele sofreu uma parada cardíaca enquanto tratava um quadro de pneumonia em um hospital particular de Natal-RN, cidade em que morava com a família.

Januário de Oliveira

Januário foi uma das principais vozes no futebol brasileiro nos anos 1980 e 90. Criou diversos bordões que são lembrados até hoje. Quem acompanhava suas narrações, seja na TVE ou na Band, não esquece alguns, como:

“Taí o que você queria, bola rolando”
“Acha pouco, quer mais e vai à luta”
“Ele sabe que é disso, é disso que o povo gosta!”
“Tá láaaaa um corpo estendido no chão”
“Cruel, muito cruel”
“Sinistro, mas é muito sinistro”
“E o goooooooooooool!”

Deu, ainda, inúmeros apelidos a jogadores que caíram no gosto do torcedor. O atacante Valdeir, destaque do Botafogo no início dos anos 90, virou “Valdeir The Flash”. Sávio, prata da casa do Fla, virou “Sávio, o Anjo Loiro”.

O mais famoso, sem dúvida, batizou o centroavante Ézio, do Fluminense, clube do coração de Januário. Até hoje o ex-camisa 9 tricolor é lembrado pelos torcedores como “Super Ézio”.

Em abril de 2019, Januário recebeu uma homenagem no Maracanã, palco de narrações memoráveis. Valdeir, Sávio, William (ex-Vasco) e ainda o filho e a viúva de Ézio (que faleceu em 2011) foram ao encontro do narrador em uma emocionante matéria exibida no Globo Esporte.

Leia mais clicando aqui.

Dominguinhos do Estácio (1941-2021)

Dominguinhos do Estácio

De acordo com o portal G1, o compositor e intérprete de samba-enredo Dominguinhos do Estácio faleceu em 30.05.2021 aos 79 anos:

Dominguinhos estava internado desde o dia 11 de maio, no Hospital Azevedo Lima, em Niterói e teve uma hemorragia cerebral. No último dia 20, ele precisou ser intubado.

O intérprete iria completar 80 anos em agosto.

Ele começou a carreira na década de 1960, na Unidos de São Carlos. Quando a escola passou a se chamar Estácio de Sá, em 1983, Dominguinhos estava lá.

Pela Imperatriz Leopoldinense, o artista foi campeão do carnaval carioca em duas ocasiões: em 1981, com “Só dá Lalá”, e em 1989 com “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”.

Em 2020, ele sofreu um infarto depois do desfile da Viradouro e foi do Sambódromo direto para o hospital. Em nota, a escola lamentou profundamente a morte.

“Dominguinhos foi o intérprete oficial e emocionou milhões de corações. Sua voz inconfundível e seu carisma cativaram nossa comunidade, criando uma relação única e especial, que ficará para sempre na história do samba e da Viradouro”.

Leia mais clicando aqui.

Firmino de Itapoan (1943-2021)

Firmino de Itapoan

De acordo com o portal G1, morreu em 29.05.2021 aos 78 anoso sambista Firmino de Itapoan, em Salvador. De acordo com a filha do músico, Rose Brito, ele morreu após uma parada cardiorrespiratória:

Segundo Rose, o pai passou mal por volta das 17h, mas inicialmente preferiu não procurar uma unidade de saúde. Com a piora do quadro, ele foi levado para o Hospital Roberto Santos, por volta das 19h, mas não resistiu.

O cantor e compositor Firmino de Itapoan tinha 78 anos e deixou a esposa, Dulce Brito, e 10 filhos. Apesar do nome artístico homenagear o bairro de Itapuã, Firmino nasceu na Liberdade, em Salvador. Entre os maiores sucessos estão as músicas “Boa noite para quem é de boa noite” e “Moinho da Bahia Queimou”.

Leia mais clicando aqui.

John Davis: Falecimento

John Davis

De acordo com o UOL, o cantor John Davis, que acabou ficando conhecido como um das “vozes reais” do duo Milli Vanilli, que na verdade era uma farsa, morreu vítima da covid-19, aos 66 anos:

A informação foi confirmada por Jasmin, filha do artista, em publicação nas redes sociais feita na última segunda-feira (24).

(…) Davis, uma das vozes reais do Milli Vanilli, e seus colegas de estúdio fundaram o grupo The Real Milli Vanilli após a polêmica. Anos depois, o músico acabou se aproximando de Fab Morvan e os dois chegaram a sair em turnê pela Europa cantando os sucessos antigos do duo.

Leia mais clicando aqui.

Leia também:
John Davis, Real Milli Vanilli Singer, Dead at 66

Nelson Sargento (1924-2021)

Nelson Sargento

Uma perda enorme para a música brasileira. O sambista Nelson Sargento, de 96 anos, faleceu em 27.05.2021. O compositor havia sido internado no Instituto Nacional de Câncer (Inca). No portal G1:

Morreu nesta quinta-feira (27), vítima da Covid-19, o sambista Nelson Sargento, aos 96 anos.

Um dos principais nomes do samba e da música popular brasileira, Sargento foi diagnosticado com o novo coronavírus na última sexta-feira (21), quando foi internado.

No dia 26 de fevereiro, o compositor da Mangueira recebeu a segunda dose da vacina contra a Covid-19 em casa. Além da idade avançada, Nelson sofreu com um câncer de próstata anos atrás.

Leia mais clicando aqui.

Um dia antes, em 26.05.2021, a família havia autorizado a sua intubação para dar prosseguimento ao tratamento contra a Covid-19:

Segundo o boletim médico da unidade de 26.05.2021:

“O Instituto Nacional de Câncer (INCA) informa que o paciente Nelson Matos, 96 anos, está em estado grave e inspira cuidados na Unidade de Terapia Intensiva. O paciente foi transferido para a UTI no último sábado (22), apresentando piora do padrão ventilatório e hipertensão, assim respirando com auxílio de máscara de oxigênio”, informou o Inca.

A nota oficial da família nas redes sociais:

Nelson foi compositor, cantor, escritor, pintor, ator… No Dicionário Cravo Albin:

Nasceu na Santa Casa de Misericórdia, na Praça XV. Filho de Rosa Maria da Conceição (cozinheira, lavadeira e empregada doméstica) e Olympio José de Matos (cozinheiro-chefe do Armazém Dragão Secos e Molhados, da Rua Hadock Lobo). Sua mãe, com a separação do primeiro marido, uniu-se a Arthur Pequeno, que morava no Morro do Salgueiro. Aos nove anos, morava no Morro do Salgueiro, com mais 17 irmãos, onde desfilava na Escola de Samba Azul e Branco. Aos 12 anos, mudou-se para o Morro da Mangueira, sendo adotado por Alfredo Lourenço, pintor de paredes nascido em Portugal e que chegara em um navio, fixando-se no Morro da Mangueira, onde recebeu o apelido de Alfredo Português. O padrasto (ex-fadista), a essa altura Arthur Pequeno faleceu e a mãe se unira a Alfredo, levava o pequeno Nelson para os ensaios da Escola Unidos da Mangueira, já extinta.

Nelson Sargento

Aprendeu a tocar violão com Aluísio Dias, Cartola, Nelson Cavaquinho e Geraldo Pereira, passando a musicar os versos feitos pelo pai adotivo. Seguindo os passos de Alfredo Português, tornou-se pintor de paredes aos 17 anos. Trabalhou na Fábrica de Vidros José Scarrone, no bairro de Vila Isabel. Por influência de Alfredo Português e Carlos Cachaça passou a integrar a ala de compositores da Mangueira, em 1942. Foi sargento do Exército de 1945 a 1949, daí o apelido que tomou como nome artístico após ter participado do musical “Rosa de Ouro”. No ano de 1958 assumiu o cargo de Presidente da Ala de Compositores do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. No ano de 1973 Sérgio Cabral organizou uma reunião em sua casa e fez uma pequena exposição de alguns (seis) de seus quadros. Na ocasião, Paulinho da Viola comprou um deles.

No ano de 1981 escreveu com Alice Campos, Francisco e Dulcinéia Duarte, a monografia “Um certo Geraldo Pereira”, lançada pelo “Projeto Lúcio Rangel”, criado por Hermínio Bello de Caravalho para a Funarte. A partir de 1982, passou a conciliar a carreira de músico com a de artista plástico. No Rio de Janeiro, em 1983, expôs seus quadros de cenas do cotidiano e figuras primitivistas no Arquivo da Cidade.

Leia mais em
https://dicionariompb.com.br/nelson-sargento/biografia

Nelson Sargento por Carlos Latuff (2017)

No Globo Online:

O sucesso no carnaval consolidou a reputação de Nelson, que se juntou a outros ícones mangueirenses, como Cartola, Carlos Cachaça e Darcy da Mangueira. Tanto que, em 1958, tornou-se presidente da ala dos compositores. Na década de 1960 integrou formações seminais na história do samba, como A Voz do Morro (com Zé Kéti, José da Cruz, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho e Anescarzinho do Salgueiro) e Os Cinco Crioulos (com Mauro Duarte e de novo Elton, Jair, Paulinho e Anescarzinho). Com eles, participou do histórico show “Rosa de Ouro”, produzido por Hermínio Bello de Carvalho em1965, no Teatro Jovem, em Botafogo.

Nelson foi autor de mais de 400 composições — muitas delas compostas no mesmo violão, que o acompanhou por mais de 50 anos. O instrumento foi comprado às pressas, de segunda mão, para que pudesse integrar o show “Rosas de Ouro”.

— O Elton (Medeiros) foi na Mangueira e deixou um recado para eu ir ao Teatro Jovem, para um trabalho — recordou ele, em uma entrevista de 2019. — Como eu era pintor de paredes na época, achei que seria para pintar o teatro. Só quando cheguei lá soube que precisavam de mais um compositor de samba para o grupo do espetáculo. Não tinha violão, e comprei este aí, como está agora. Continuei pintando as minhas paredes, mas dali em diante comecei a me profissionalizar.

Nelson Sargento

Lançado em 1979, seu primeiro álbum solo, “Sonho de um sambista”, inclui clássicos como “Agoniza mas não morre”. Gravado por inúmeros intérpretes, e tratado como uma espécie de hino por Beth Carvalho, é uma exaltação à resiliência do samba.

Agoniza Mas Não Morre
(Nelson Sargento)

Samba
Agoniza mas não morre
Alguém sempre te socorre
Antes do suspiro derradeiro

Samba
Negro, forte, destemido
Foi duramente perseguido
Na esquina, no botequim, no terreiro

Samba
Inocente, pé-no-chão
A fidalguia do salão
Te abraçou, te envolveu
Mudaram toda a sua estrutura
Te impuseram outra cultura
E você nem percebeu
Mudaram toda a sua estrutura
Te impuseram outra cultura
E você nem percebeu

Nelson costumava dizer que fazer música era essencialmente “contar histórias”. E canções como “Falso amor sincero”, também presente em seu álbum de estreia, são exemplo da inteligência e humor com que “narrava” essas histórias. A música tem um dos versos mais famosos do artista: “O nosso amor é tão bonito/ Ela finge que me ama/ E eu finjo que acredito”.

Nos últimos anos, a longa vivência de Nelson transformou-o numa espécie de museu vivo da cultura, fonte de consulta permanente para pesquisas e produção de livros e filmes. Ele testemunhou a transformação das escolas em gigantes comerciais, e viu o samba ganhar as gravadoras e as paradas de sucesso.

Leia mais clicando aqui.

1997. Direção e roteiro de Estevão Ciavatta: