Viola para sempre

Complementando o post de 01.07.2010 sobre o…

Projeto Voa Viola
https://musicamagia.wordpress.com/2010/07/01/projeto-voa-viola/

… lançado em 21.06.2010, o Música (é Magia) Para Todos acrescenta mais algumas informações, agradecendo a Décio Hernandez Di Giorgi pela colaboração:

Quanto ao projeto, uma comissão de seleção irá escolher 24 trabalhos que representem o atual panorama da viola no país. A próxima etapa é decidida em voto popular por meio do portal do projeto. Deste total de 24, o público escolherá 12 artistas para dividir o palco com músicos consagrados em shows em Belo Horizonte, Brasília, Recife e São Paulo. No processo de votação, o público também decidirá os artistas que irão se apresentar em cada uma das cidades. A comissão de seleção premiará, ainda, cinco trabalhos com menções honrosas nas categorias tradição, inovação, dupla, instrumental e canção, contemplando e valorizando a diversidade das expressões com o instrumento.

Os trabalhos inscritos devem utilizar a viola em sua expressão, seja ela caipira, de cocho, nordestina, de fandango, machete, de buriti, nas suas várias afinações. Além dos shows, o projeto realizará um seminário em Belo Horizonte, intitulado “Vertentes da Viola no Brasil: tradição e inovação”.

Abaixo, textos de Roberto Corrêa:

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Viola

Machete

Machete

Importante instrumento de cordas de caráter popular em Portugal já no século XV, a viola foi trazida ao Brasil, na época da colonização, por jesuítas e colonos. Aqui, ficou conhecida por diversos nomes. Em geral, os nomes que as violas recebem definem o tipo ou os materiais que, de alguma forma, as caracterizam (ex., viola de 10 cordas, viola de arame, viola de pinho, viola branca); a região ou o ambiente onde predomina (ex.,viola nordestina, viola caipira); ou a tradição popular a qual está ligada (ex., viola de fandango, viola de cantoria).

Instrumento de corda de origem árabe, a viola já era largamente difundida em Portugal no século XV. Alguns relatos da época revelam que a viola era considerada o principal instrumento dos jograis populares e cantares trovadorescos.

A viola chegou ao Brasil no início da colonização, trazida por colonos e jesuítas portugueses. Seu uso, juntamente com as tradições musicais do povo português, foi se adentrando a partir do litoral e se espalhando por todo o país.

No Brasil, o instrumento praticamente manteve sua estrutura básica, porém, as condições e características do interior do país propiciaram, embora casualmente, o surgimento de outros tipos de violas como a viola de buriti, a viola de cocho, a viola de cabaça e a viola de bambu.

FONTE: Corrêa, Roberto. A Arte de Pontear Viola. Brasília/Curitiba: 1ª ed. 2000.

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Características Físicas Gerais

Existem algumas características essenciais que fazem da viola um instrumento único. A disposição das cordas é uma delas. Embora haja inúmeras variações no encordoamento da viola, em geral ele é feito em cinco ordens, ou conjuntos de cordas. Essas ordens podem ser de cordas simples, duplas ou triplas.

Comparada ao violão, a viola é normalmente menor no que diz respeito tanto a sua caixa de ressonância quanto ao tamanho de sua escala. Mesmo assim, não é possível estabelecer, com exatidão, tamanhos-padrões para a viola.

PARTES DA VIOLA

Partes da viola

Partes da viola

1. Cravelha ou cravilha
2. Pestana ou trasto zero
3. Trasteira, espelho, palheta ou escala
4. Castanha ou pé do braço
5. Aro, faixa lateral, cinta ou ilharga
6. Cravelhal, cravelheira, palma ou cabeça
7. Trasto, tasto ou ponto
8. Casa
9. Boca ou abertura
10. Cintura ou enfraque
11. Cavalete
12. Pino
13. Contracavalete ou espinha
14. Tampo ou texto sonoro
15. Cordas
16. Braço
17. Bojo superior
18. Bojo inferior
19. Fundo, costas ou testo de baixo
20. Roseta
21. Furo

Foi junto à cultura popular que se deu o desenvolvimento da viola caipira e da sua prática. É no sertão, na roça, que está preservado o conhecimento dos seus toques ancestrais, das suas afinações, dos mistérios e das crenças que a envolvem. O conhecimento sobre a viola está muito ligado à oralidade das comunidades interioranas do Brasil. O ponteio da viola é uma arte que, em geral, passa-se de pai para filho.

Expressões musicais como as folias, os catiras, os lundus, as curraleiras, bem como a música caipira das duplas que fizeram sucesso a partir do advento do rádio, são manifestações onde a viola tem um caráter preponderante.

FONTE: Corrêa, Roberto. A Arte de Pontear Viola. Brasília/Curitiba: 1ª ed. 2000.

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— TIPOS DE VIOLA DE CORDAS METÁLICAS —

Viola Caipira

Importante instrumento de caráter popular em Portugal já nos séculos XV e XVI, a viola chegou ao Brasil no início da colonização, trazida por colonos e jesuítas portugueses. Seu uso, a partir do litoral, foi se adentrando e se espalhando por todo o país.

Viola Caipira

Viola Caipira

Na segunda metade do século XVIII os violeiros portugueses começam a substituir as cordas de tripas por cordas de arame (latão e aço liso) o que levou à adoção do nome “viola de arame”, designação que permanece atual em Portugal, nos Açores e Ilha da Madeira.

No Brasil a viola passou a receber outras denominações como: viola de pinho, de fandango, nordestina, cabocla, entre tantos outros. No centro-sul do Brasil, temos a “viola caipira”, que é, ainda hoje, o instrumento mais representativo das tradições populares desta região.

A viola caipira é encordoada com 10 ou 12 cordas, sempre dispostas em cinco ordens: cinco pares, quando tem dez cordas; ou três pares e duas triplas, quando de doze cordas. No Brasil são encontradas dezenas de afinações para o instrumento, sendo mais usuais a cebolão (A, D, F#, A, D), a rio abaixo (G, D, G, B, D), e a natural (A, D, G, B, E).

Foi junto à cultura popular que se deu o desenvolvimento da viola caipira e da sua prática. É no sertão brasileiro, na roça, que está preservado o conhecimento dos seus toques ancestrais, das suas afinações, dos mistérios e das crenças que a envolvem. Expressões musicais como as folias, os catiras, os lundus, as curraleiras, bem como a música das “duplas caipiras” que fizeram sucesso a partir do advento do rádio, são manifestações onde a viola está presente e têm sua expressão fortemente influenciada por esse instrumento.

Na atualidade, músicos brasileiros de diversas formações tem se dedicado ao instrumento o que tem ampliado e desenvolvido os potenciais e técnicas da viola caipira. Neste novo contexto a viola conquistou espaço nas salas de concerto e junto a diversas expressões musicais brasileiras.

Viola nordestina

Viola nordestina

Viola nordestina

Também conhecida como viola de cantoria, esse instrumento é típico da região nordeste do Brasil e é utilizada quase que exclusivamente para acompanhamento dos versos cantados pelos repentistas.

Um dos primeiros registros históricos desta viola surge a partir do estudo realizado pelo musicólogo Luiz Heitor Correia de Azevedo na primeira metade do século XX. Ele descreve um instrumento composto por cinco ordens de cordas duplas, cujo primeiro par é uníssono e os demais oitavados. Mesmo assim, antes dele, Mário de Andrade, em sua Missão de Pesquisas Folclóricas, identificou outro tipo de viola no nordeste em que duas das cinco ordens características são duplas ao invés de triplas, totalizando 12 cordas.

Viola de fandango

É instrumento essencial da festa popular denominada Fandango, e está presente no litoral Sul do país. Não há padronização na forma de construção desse tipo de viola, no seu número de cordas, no tamanho e no nome pelo qual é chamada. No entanto, a viola de fandango se caracteriza das demais por serem habitualmente feitas utilizando-se madeira de caixeta, uma espécie de madeira rústica muito leve e macia ao corte, de cor esbranquiçada ou levemente amarelada.

Viola de fandango

Viola de fandango

A viola de fandango é costumeiramente encordoada com cinco ordens de cordas, sendo duas ordens duplas e as demais simples. É comum, no entanto, a última ordem ser tripla, ao invés de dupla, devido a uma meia-corda existente numa cravelha que fica no bojo da viola, e não no final do braço, como ocorre normalmente. Essa meia-corda é chamada de turina, cantadeira ou piriquita.

Nos fandangos, a viola pode ser acompanhada por instrumentos como rabeca, surdo, timbó, colheres, adufo ou pandeiro e os tamancos de madeira.

Viola machete

Este é um tipo de viola que está presente principalmente na região do Recôncavo Baiano. Seu encordoamento é formado normalmente por cinco ordens de ordens duplas, e a afinação é a Natural. Quanto ao tamanho, o machete é bem menor que outras violas.

O machete tem importância fundamental nas tradições musicais da região do Recôncavo Baiano, como o Samba Chula.

FONTE: Corrêa, Roberto. A Arte de Pontear Viola. Brasília/Curitiba: 1ª ed. 2000.

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— TIPOS DE VIOLA DE CORDAS DE TRIPAS OU NYLON —

Viola de buriti

Viola de buriti

Viola de buriti

Tipo de viola característico de regiões do Tocantins, como o Jalapão, mas também é encontrada no Noroeste de Minas Gerais. É usado com frequência como instrumento lúdico utilizado em brincadeiras infantis. Muito simples, rústica e extremamente leve, essa viola é fabricada artesanalmente do talo da palma de buriti. Atualmente, o encordoamento da viola de buriti é feito com nylon.

Viola de cocho

A viola de cocho é instrumento fundamental em algumas manifestações tradicionais típicas dos estados Mato Grosso e Mato Grosso do Sul como o cururu, o siriri e o rasqueado –, e tem funções devocionais e lúdicas.

A palavra “cocho” é empregada pelo homem do campo referindo-se a uma tora de madeira escavada, de modo a formar uma espécie de recipiente utilizado para alimentar animais. A viola de cocho recebe este nome porque é confeccionada em um tronco de madeira inteiriço, esculpido no formato de uma viola, e escavado na parte onde se formará a caixa de ressonância. Neste cocho, em formato de viola, é afixado um tampo e, em seguida, as partes que caracterizam o instrumento, como o cavalete, o espelho, o rastilho e as cravelhas.

O instrumento apresenta sempre cinco ordens de cordas, com cinco cordas simples, ou com quatro simples e um par. Possui duas afinações básicas: canotio solto e canotio preso. A maioria das violas de cocho arma-se com quatro cordas de tripas e uma de aço encapada. Atualmente, as cordas de tripas estão sendo substituídas por linhas de pesca (nylon) devido à restrição da prática da caça de animais silvestres na região.

FONTE: Corrêa, Roberto. A Arte de Pontear Viola. Brasília/Curitiba: 1ª ed. 2000.

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Uma longa tradição
Texto e pesquisa de Roberto Corrêa. Extraído do encarte de Uróboro (1994).

Viola de cocho

Viola de cocho

Viola, viola pinho, viola caipira ou viola sertaneja são as denominações mais comuns para o principal instrumento do nosso povo interiorano. O instrumento também pode ser encontrado com os nomes de viola de arame, viola nordestina, viola cabocla, viola cantadeira, viola de dez cordas, viola chorosa, viola de Queluz, viola serena e viola brasileira.

A viola foi trazida ao Brasil por colonos provindos de diferentes regiões de Portugal, principalmente do Norte, que, a partir do litoral, foram se adentrando e se espalhando por todo o país. Neste período de colonização, a viola era muito popular em Portugal, com cada região apresentando, sem fugir de um padrão típico, diferentes estilos para o instrumento. A viola que mais se diferenciava era a viola beiroa, pois, além do cravelhal normal, com dez cravelhas (onde as cordas são esticadas), apresentava outro pequeno cravelhal, ao lado da caixa de ressonância, em cima do braço, com duas cravelhas.

Em Portugal, as violas sempre eram encordoadas com cinco ordens de cordas metálicas, todas duplas, nas violas amarantinas, campaniças, beiroas e braguesas (portanto, violas com cinco pares de cordas). Na viola toeira, da região de Coimbra, as cordas eram duplas nas três primeiras ordens e triplas nas duas últimas (as três cordas dessas ordens ficavam bem próximas umas das outras, um bordão, acompanhado de duas cordas finas de metal). A viola, então, pode ser encordoada com doze cordas, mas desde que numa disposição de cinco ordens. Ou seja, não existe viola com seis ordens (seis pares de cordas). Tanto em Portugal quanto no Brasil, foram encontradas violas com doze furos no cravelhal, mas com apenas dez cravelhas. Reminiscência, talvez, desta viola de doze cordas, da região de Coimbra.

Em nosso país, o instrumento praticamente manteve sua estrutura básica. As tradições musicais, porém, foram se alterando, conforme a realidade de cada região e os diferentes níveis de interação com culturas distintas, notadamente a negra e a indígena. Essa miscigenação também propiciou, embora casualmente, o surgimento de outros tipos de violas como a viola de buriti, a viola de cocho, a viola de cabaça e a viola de bambu.

As afinações mais usadas pelos violeiros são a Cebolão, a Rio Abaixo e a Natural. No entanto, existem dezenas de outras afinações, com os mais variados nomes. É comum encontrarmos uma determinada afinação apresentando nomes diferentes e, até mesmo, um mesmo nome aplicado a diferentes afinações. Enfim, parece que herdamos dos portugueses uma total liberdade quanto às terminologias.

Viola de queluz

Viola de queluz

Viola, em português, designa o instrumento que, nos séculos XV, XVI, XVII e XVIII, era conhecido nos outros países por guitarra (instrumento de fundo paralelo ao tampo, com uma curvatura na cinta da caixa de ressonância, que denominamos de “cintura”). Guitarra, em português, designa um instrumento de fundo paralelo ao tampo, mas sem cintura, parecido com o nosso bandolim. É o instrumento mais popular de Portugal, usado principalmente nos fados.

No final do século XVIII, surgiu na Espanha a guitarra de seis cordas simples, que logo se popularizou em todo o mundo com o nome de guitarra. No norte de Portugal, este instrumento de seis cordas recebeu o nome, não de guitarra, mas de violão, já que o termo guitarra se referia ao popular instrumento fadista. Portanto, somente no norte de Portugal, no Brasil e possivelmente em alguma outra ex-colônia portuguesa, usa-se a denominação violão para o instrumento conhecido, em todo o mundo, por guitarra. No sul de Portugal, como já não existia mais a viola de cinco ordens, eles se referiam a este instrumento de seis cordas simples por viola, ou seja, o mesmo instrumento identificado nos outros países por guitarra em Portugal é conhecido por violão, na região Norte, e por viola, na região Sul. Este fato explicaria o porquê de, no Brasil, em alguns momentos, as pessoas dizerem viola, referindo-se, na verdade, ao violão.

O instrumento tocado com arco, semelhante ao violino e que se designa viola nos demais países europeus, em Portugal é mais conhecido por violetta. No meio rural brasileiros, chama-se rabeca.

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Entre pactos e simpatias
Texto e pesquisa de Roberto Corrêa. Extraído do encarte de Uróboro (1994).

Viola paulista

Viola paulista

O músico que se utiliza da viola para expressar seus sentimentos e emoções é denominado “violeiro”.

Os violeiros tradicionais acreditam que a arte da viola é um dom de Deus: quem não nasceu com ele nem adianta tentar, pois nunca será um violeiro; a não ser que faça o pacto com o diabo ou a simpatia da cobra coral ou, ainda, a simpatia do cemitério.

Para fazer a simpatia da cobra coral, o aprendiz tem de sair à procura, durante a noite, de um filhote de cobra coral venenosa. Assim que o encontrar, deve, com o polegar e o indicador da mão direita, agarrá-lo pela cabeça, deixando que ele se enrosque todo. Feito isso, deve desembaraçá-lo, pacientemente, com a mão esquerda, sem usar o polegar, fazendo com que ele se enrole nos outros dedos. Em seguida, para finalizar, deve soltá-lo na mesma posição e no mesmo lugar onde foi encontrado.

Essa simpatia é conhecida por grande parte dos violeiros, sendo contada e recontada de várias maneiras. Essa também foi a descrição mais interessante que colhi e o violeiro que a relatou insistiu que era muito importante seguir à risca o ensinamento porque tudo tinha fundamento. O polegar e o indicador da mão direita são usados nos ponteados, o que requer muita destreza. Os dedos da mão esquerda também requerem agilidade, porém o polegar desta mão não deve ser tocado pela cobra, pois é ele quem vai controlar os outros dedos.

”O cuidado maió tá na sortura da cobra, pegá até que é fácil”, afirmava o violeiro, esclarecendo que, para não perder sua magia para o homem, a cobra tentaria, de todas as maneiras, matá-lo com sua picada.

Na simpatia do cemitério, o aprendiz tem de se informar sobre o local onde foi enterrado um grande violeiro, dos antigos. Na Sexta-feira da Paixão, à meia-noite, sem levar luz, deve-se pular o muro do cemitério e, sem fazer barulho, ajoelhar-se à beira do túmulo, estendendo os braços para frente, com os dedos bem abertos. O aprendiz fecha, então, os olhos, concentra-se, reza três Ave-Marias e pede para a alma daquele violeiro lhe passar os segredos do instrumento. Com pouco tempo, a pessoa sente um “frio” na espinha e sente também seus dedos sendo puxados e estralados, seguindo-se uma leve tontura, que logo passa, quando se dá uma ventania no local, encerrando, assim, o ritual de passagem. A pessoa, em agradecimento, deve rezar mais três Ave-Marias, pois já é um grande violeiro.

Comenta-se muito, entre violeiros, o pacto com o diabo. Um dos muitos causos aconteceu numa região do Triângulo Mineiro, onde, tempos atrás, vivia um sujeito muito poderoso que, tendo verdadeira adoração por viola e não conseguindo aprender, resolveu fazer o tal “pacto”. Era um homem muito destemido, que pegava touro à unha, amansava burro bravo e caçava onça com zagaia. Para ele não havia rival: vencia todos com facilidade. Porém, a única coisa que lhe metia medo eram as cobras, mas isso não o preocupava, porque rezava todas as manhãs para São Bento, o santo que protege o homem das cobras.

Numa noite de lua cheia, com uma viola e uma garrafa de cachaça debaixo do braço, ele foi para uma encruzilhada que ficava num campo limpo, bem ao lado de um matagal. Lá chegando, começou a beber e, logo, já estava aos berros, convocando o demônio a vir ensiná-lo a tocar viola. Ele gritava: “Ô Cujo, vem cá!” E nada acontecia. “Ô Tristonho, vem me ensiná a tocá viola!”, e nada. “Ô Mofino, num tá me escuitano!”, e nada. “Ô Tristonho, Bode Sujo, tá cum medo, Capeta!”, e nada. Depois de muito gritar, cansado da espera e um tanto bêbado, começou a ouvir uns estranhos ruídos vindos matagal, e logo, em sua direção por um trilheiro de gado, surgiu uma vaca branca, dando de mamar para sete cabritinhos. Logo atrás, uma cabra preta, amamentando sete porquinhos. Em seguida, uma porca branca com sete galinhas querendo mamar. Depois, uma galinha preta com sete sapinhos pulando, também tentando mamar e, de repente, cobras de todos os tamanhos surgiram, perseguindo os sapos. O sujeito, que já estava assustado, ao ver as cobras, não resistiu e gritou: “São Bento!” No mesmo instante, ele ouviu uma voz raivosa lhe respondendo de dentro do matagal: “Vai viver, molambento!”, e tudo desapareceu. Conta-se que o homem ficou meio apalermado e passou a viver nas portas das igrejas, tentando tocar uma violinha desafinada, todo sujo e esfarrapado.

Um traço interessante na personalidade do violeiro é que cada um deles se considera o melhor violeiro da região: não suportam a idéia da existência de outros tão bons quanto ele. Os violeiros costumam trazer, no interior de suas violas, um chocalho de cascavel, pois, segundo eles, o guizo possui uma forte magia de proteção tanto para a viola quanto para o violeiro.

Conta-se que, antigamente, nas disputas de violeiros, alguns possuíam a magia de quebrar as cordas e, até mesmo, o instrumento do seu adversário. Esses violeiros típicos, que ainda conhecem as tradições herdadas de seus pais e avós, estão desaparecendo. Com eles, desaparece toda uma cultura que necessitamos preservar.

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4 comentários em “Viola para sempre

  1. Violas de 12 cordas com 6 pares de cordas existiram sim, a Giannini fabricava até a década de 60, a Casa Lira fabricou, Mandi e Sorocabinha usavam violas com 6 pares de cordas. Infelizmente caiu em desuso, mas elas existiram e há registro da existência dela. Segue um link aonde reuni algumas informações com este tipo de viola:

    http://www.juniordaviolla.com.br/viola12cordas.htm

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