Eduardo Gallotti (1964-2022)

A chuvosa manhã carioca de 12.05.2022 começou com a triste notícia do falecimento de Eduardo Gallotti, cantor, compositor, cavaquinista, pandeirista e muito mais…

Update 09h45 – No Globo Online:

Morreu, na madrugada desta quinta-feira (12), o cantor e compositor Eduardo Gallotti, aos 58 anos. O músico carioca — que lutava contra um câncer nas cordas vocais — foi fundador de rodas de samba tradicionais no Rio de Janeiro, como a do Candongueiro (Niterói), do Sobrenatural (em Santa Teresa), do Severyna (em Laranjeiras) e do Mandrake (em Botafogo).

Eduardo Gallotti

(…) Gallotti começou a cantar samba nos saraus do Colégio São Vicente de Paulo, no Cosme Velho, onde estudava. Mergulhou na obra de Cartola, Paulo da Portela, Candeia e Nelson Cavaquinho graças às fitas cassetes gravadas por seu irmão. Aprendeu a tocar cavaquinho sozinho (“samba se aprende em roda de bar, é a melhor escola”), mas fez dois anos de aula com Henrique Cazes.

Em 1984, trocou a faculdade de Biologia pela noite. Apresentou-se em bares dos bairros da Lapa e de Botafogo, no Baixo Gávea e até no posto de gasolina do Humaitá. O dinheiro que ganhava não era suficiente, mas dava para pagar o ônibus e a cerveja.

(…) Passou a nadar para perder os quilos a mais que lhe prejudicavam a saúde (conseguiu emagrecer 45 quilos) e adotou uma alimentação mais saudável. A luz vermelha acendeu de vez quando a voz passou a não aguentar o tranco e a rouquidão virou companheira constante.

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Eduardo Gallotti

De uma matéria de Maria Fortuna em O Globo de 20.11.2021:

Quem estava lá viu: foi bonita noite do último domingo [14.11.2021] no Trapiche Gamboa. Havia vários motivos para o clima de comoção que tomou conta do lugar. Era a celebração pela reabertura da casa, que acaba de inaugurar novo endereço a alguns metros de sua antiga sede, na Rua Sacadura Cabral, Zona Portuária. As pessoas estavam eufóricas em rever os amigos, felizes com a retomada cultural, que avança meio sem controle sobre a cidade após quase dois anos de isolamento. Máscara? Era uma raridade por ali… Mas a principal razão para a emoção generalizada que aflorou naquele salão era a presença de uma pessoa, o músico Eduardo Gallotti, figura lendária do samba carioca.

Após enfrentar um câncer agressivo nas cordas vocais, o cantor, compositor e cavaquinista de 57 anos estava de volta à roda do Trapiche, uma das várias que ele ajudou a consagrar na cidade. Com um pano cobrindo o pescoço em razão de uma traqueostomia, ele empunhava seu cavaquinho tomado pela alegria não só de estar vivo como também de ver os amigos vivos nesse pós-pandemia. Nos intervalos, à medida em que circulava pelo salão, recebia muito carinho.

(…) Fundador de rodas de samba que se tornaram tradicionais a partir do fim dos anos 1980 e por toda a década de 1990 — como a do Candongueiro (Niterói), do Sobrenatural (Santa Teresa), do Severina (Laranjeiras), do Mandrake (em Botafogo, uma das primeiras na Zona Sul na metade da década de 1980, frequentada por gente como Zeca Pagodinho e Beth Carvalho) —, Gallotti (ou Galo, para os íntimos) fez o link entre o samba Zona Norte e Zona Sul.

Eduardo Gallotti

— Ele, junto com outros músicos, é uma espécie de elo perdido de uma linhagem do samba na Zona Sul do Rio. Antes de nós, só tinha um pessoal 15 anos mais velho, como o Paulão 7 Cordas, o Henrique Cazes, o Mauricio Carrilho… — lembra o violonista Luís Filipe de Lima , parceiro de roda por 18 anos e amigo de Gallotti há 35. — Gallo estava em todos os lugares. Rodava o subúrbio, frequentando o pagode da Tia Doca, as rodas da Vila Isabel e fazia a ponte entre as várias tribos do gênero. Fez a cabeça de muita gente pela maneira de cantar várias vertentes do estilo, do samba enredo ao partido alto, passando pelo de breque, sincopado e pelos pagodes dos anos 1980. E também pelo repertório gigantesco. É o cara que mais sabe conduzir uma roda em termos de encadeamento. Bota calor, acalma ou mete um clima de romance.

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Reportagem na Veja Rio em 2012:
https://vejario.abril.com.br/cidade/eduardo-gallotti/

No Dicionário Cravo Albin:
https://dicionariompb.com.br/artista/eduardo-gallotti/