César Villela (1930-2020)

Cesar Villela

De acordo com o Globo Online, o artista gráfico César Gomes Villela, criador de capas icônicas da bossa nova, morreu, aos 90 anos, em 11.12.2020, em Miguel Pereira (RJ). O designer havia sido internado horas antes em um hospital da cidade, onde morava há seis anos, com um quadro de pneumonia:

A informação foi confirmada ao GLOBO por Cláudia Villela, uma de suas filhas. O artista deixa também César e Elizabeth e quatro netos, além da mãe de seus filhos, de quem estava separado há três décadas. O sepultamento ocorreu nesta tarde também em Miguel Pereira.

“Meu avô se foi hoje… Mas sua arte vai estar sempre viva! Descanse em paz”, publicou o neto Tiago Villela nas redes sociais durante esta tarde, aproveitando para lembrar capas célebres criadas pelo avô para nomes como Tom Jobim, Sergio Mendes, Maysa e Baden Powell, entre outros.

Seus trabalhos, muitos deles caracterizados pelo uso de bolinhas vermelhas em seu projeto gráfico, foram feitos para as gravadoras Odeon e Elenco, berços dos discos da bossa nova. Foi sua, inclusive, a criação da capa do disco fundador do gênero, “Chega de saudade”, de João Gilberto, lançado em 1959.

Cesar Villela

Os grafismos vermelhos geralmente acompanhavam fotos em preto-e-branco de Chico Pereira, em alto contraste, uma combinação que garantiu a elegância e o minimalismo das artes do movimento. As bolinhas vermelhas costumavam aparecer em grupos de quatro, não por acaso, como explicava o artista.

“Na cabala, significam harmonia”, disse ele ao GLOBO em uma entrevista em 2008, para uma edição especial sobre os 50 anos da bossa nova, para a qual desenhou com exclusividade uma capa para o Segundo Caderno. “Fiz umas 20 capas (para artistas como Nara Leão, Maysa e Roberto Menescal) com as quatro bolinhas.”

Cesar Villela

Na ocasião, ao voltar ao jornal para esse trabalho, relembrou que o seu começo de carreira foi como ilustrador do GLOBO. Entre outras atribuições, foi o responsável pela ilustração de colunas de Elsie Lessa.

Para a bossa nova, dizia, seu processo de criação não vinha de tentar associar música e design.

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Leia também:
O design da bossa nova: visualidade sonora nas capas de Cesar Villela para a gravadora Elenco [2014]

Na Enciclopédia Itau Cultural:

Cesar Gomes Villela (Rio de Janeiro RJ 1930). Pintor, cartunista, jornalista, programador visual e diretor de arte. Inicia seu trabalho em 1958, como programador visual de capas de discos, sendo várias vezes premiado nessa categoria. Em meados de 1959, trabalha para a Gravadora Elenco, responsável pelos principais artistas da bossa nova. A partir de 1964, participa da equipe de criação Keitz & Herndon, Inc. , produtora de filmes culturais e comerciais, em Dallas, Estados Unidos. Dez anos mais tarde, torna-se Presidente do Clube dos Diretores de Arte, no Rio de Janeiro, e lança o primeiro Anuário de Arte Visual do Brasil. Suas obras ilustram o número inaugural do Design Journal do Art Center of Korea (1988) e os livros Brasília: Patrimônio Cultural da Humanidade (1988) e Paz (1989).

Ubirany (1940-2020)

Ubirany

De acordo com o portal G1, o cantor Ubirany, do grupo Fundo de Quintal, morreu de Covid-19 em 11.12.2020 em um hospital do Rio de Janeiro. Ele tinha 80 anos:

Ubirany Félix Do Nascimento foi o responsável por introduzir o repique de mão no mundo do samba, instrumento que deu identificação ao Fundo de Quintal, conjunto que ajudou a fundar na década de 1970.

Em abril, o cantor Sereno, também integrante do grupo, foi diagnosticado com coronavírus.

(…) Toda a nova geração de sambistas e pagodeiros tem influência do Fundo de Quintal e tudo começou no Cacique de Ramos. Beth Carvalho conheceu os integrantes em 1977, quando ainda eram amadores, e deu um empurrão na carreira do grupo.

Em 2018, o grupo lançou um DVD para comemorar a longa carreira.

Nota do grupo Fundo de Quintal:

“É com grande lamento que o grupo Fundo de Quintal, por meio de sua assessoria de imprensa, vem a público informar o falecimento, na manhã desta sexta-feira (11), de Ubirany Félix do Nascimento, o ‘nosso querido’ Ubirany, aos 80 anos de idade.

O sambista estava internado no hospital por complicações decorrentes de sua contaminação por Covid-19.

A assessoria informará, posteriormente, questões sobre velório e sepultamento do sambista. Pedimos respeito ao luto de amigos e familiares, que se manifestarão em momento oportuno e espontâneo”.

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