Elton Medeiros (1930-2019)

Elton Medeiros

Faleceu em 03.09.2019 o grande compositor Elton Medeiros. O enterro do artista será às 15h30 de 04.09.2019, no Cemitério do Catumbi, na Zona Norte do Rio. O velório vai ser realizado a partir das 14h.

Por Mauro Ferreira:

Quem ouve o samba O sol nascerá na abertura da novela Bom sucesso – na gravação feita por Zeca Pagodinho com Teresa Cristina para a trilha sonora do atual folhetim das 19h da TV Globo – provavelmente nem se toca que, por trás da composição desse samba solar, há a maestria de Elton Medeiros (22 de julho de 1980 – 3 de setembro de 2019).

Compositor, cantor e ritmista polivalente (imbatível no toque da caixa de fósforo), Elton foi parceiro de Cartola (1908 – 1980) na criação de O sol nascerá – samba nascido por volta de 1962 na casa de Cartola e lançado em disco em 1964 na voz da cantora Nara Leão (1942 – 1989) – e de Peito vazio (1976), outra obra-prima, esta de tom mais cinzento.

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No Wikipedia:

Élton Antônio Medeiros nasceu no Rio de Janeiro em 22 de julho de 1930 e foi um compositor, cantor, produtor musical e radialista brasileiro.

Nascido no bairro carioca da Glória e torcedor do Olaria Atlético Clube, Elton Medeiros é compositor, cantor, produtor musical e radialista. Considerado um dos melhores melodistas e ritmistas da história do samba, Elton teve sua trajetória na música iniciada aos 17 anos quando tocava de dia na Orquestra Juvenil de Estudantes, que se apresentava na Rádio Roquette-Pinto, e à noite tocava trombone na gafieira Fogão, do compositor Uriel Azevedo.

Elton Medeiros começou sua carreira de compositor sendo fundador da ala dos compositores da escola de samba Aprendizes de Lucas. Seu samba “Exaltação a São Paulo” foi considerado um dos melhores da história da escola. Porém, é através das reuniões no Zicartola que Elton Medeiros criará suas principais obras, sendo um dos principais incentivadores e freqüentadores do restaurante musical localizado em um sobrado na Rua da Carioca. Lá, entrou em contato com sambistas como Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Ketti, Ismael Silva e Paulinho da Viola, que se tornaria seu principal parceiro musical. Além disso, como fruto do Zicartola surgiram o grupo A Voz do Morro e o show A Rosa de Ouro.

Em O Globo em novembro de 2016:

Vidal Assis tinha 16 anos quando ouviu pela Rádio MEC a voz de Elton Medeiros num samba seu com Cartola: “Nada consigo fazer/ Quando a saudade aperta/ Foge-me a inspiração/ Sinto a alma deserta”. Jovem estudante, mal tirando as primeiras notas no violão do pai, não passava de um encantado admirador do coautor de “Peito vazio”.

Hoje, passados 15 anos, Vidal, com 31 portanto, é biólogo com mestrado, professor a caminho do doutorado, bom de violão e parceiro de Elton em dez sambas, mais outros tantos já esboçados. Importante: os sambas são excelentes. Mais importante: a parceria interrompe o silêncio de um dos mais inspirados compositores brasileiros, 86 anos de vida dedicada à música.

O silêncio, que Elton prefere negar (“Nunca parei de compor. Jogador de futebol é que é velho aos 40…”), foi forçado por problemas de visão que, há dois anos, o levaram à cegueira, esta, sim, responsável por seu afastamento dos shows, das reuniões musicais, de tudo. Com dificuldade de locomoção, ele raramente saía de casa.

Do seu lado, Vidal foi-se se aproximando da música. O violão do pai é o seu até hoje, só que bem tocando pelo moço que decidiu estudar seriamente. Fez curso na Escola Portátil de Música, começou a compor, inclusive com letras de um de seus professores, Hermínio Bello de Carvalho.

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Update 08.09.2019 – Por Etel Frota:

Morreu Elton Medeiros, unanimemente apontado no meio musical como um dos maiores melodistas da história da música brasileira. Tinha 89 anos e estava internado em uma clínica no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Sucumbiu às complicações de uma pneumonia. Seu corpo foi enterrado nesta quarta-feira (4/9) no cemitério do Catumbi.

Elton foi, sobretudo, um renovador do samba. Faz parte da galeria em que figuram Cartola (1908-1980), Nelson Cavaquinho (1911-1986), Monarco, 85, Paulinho da Viola, 76, – a linha evolutiva dos “príncipes do samba” – sambistas de raiz que, sem abandonar os quintais, levaram o gênero para as academias, através da sofisticação melódica, harmônica e poética.

Foi Hermínio Bello de Carvalho quem melhor definiu essa trajetória. “Ele pega a matriz e tradição do samba e bebe na harmonia da mais sofisticada música brasileira de após os anos 1950: Radamés Gnatalli, Garoto, Villa-Lobos.”

Filho de Luiz Antonio de Medeiros, um funcionário da Marinha apaixonado pelos ranchos [agremiações carnavalescas precursoras das escolas de samba], Elto Antônio Medeiros nasceu, em 22 de julho de 1930, no bairro da Glória, no Rio de Janeiro.

Criou-se imerso em música. Criança, via sua casa aberta em “domingueiras” musicais, frequentadas por gente do quilate de Jamelão e Heitor dos Prazeres. Um dos 9 irmãos, o também compositor Aquiles, já falecido, foi uma grande influência. Consta que Elton compôs seu primeiro samba aos 8 anos.

Menino, Elton Medeiros cantava em um coro sob a regência de Heitor Villa-Lobos. Adolescente, tocava sax barítono na Orquestra Juvenil de Estudantes, na programação vespertina da Rádio Roquette-Pinto; corria à noite para animar a Gafieira Fogão com seu trombone.

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