Belchior (1946-2017)

Ilustração: Marcos Paulo Drummond

Ilustração: Marcos Paulo Drummond

“Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo,
Que uma nova mudança em breve vai acontecer.
E o que há algum tempo era novo, jovem,
Hoje é antigo, e precisamos todos, rejuvenescer.

Nunca mais meu pai falou:
– She’s leaving home!
E meteu o pé na estrada, like a Rolling Stones.
Nunca mais você buscou sua menina
Para correr no seu carro (loucura, chiclete e som).
Nunca mais você saiu à rua em grupo ou reunido
O dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor, que é do cartaz.
No presente a mente, o corpo é diferente,
E o passado é uma roupa que não nos serve mais.
No presente a mente, o corpo é diferente,
E o passado é uma roupa que não nos serve mais.

(REFRÃO) – 2x
Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo,
Que uma nova mudança em breve vai acontecer.
E o que há algum tempo era novo, jovem,
Hoje é antigo, e precisamos todos, rejuvenescer.

Como Poe, poeta louco americano, eu pergunto ao passarinho:
– Black Bird, o que se faz?
Raven, rever, raven, rever, raven.
Black Bird me responde:
– Tudo já ficou atrás.
Raven, rever, raven, rever, raven.
Assum Preto me responde:
– O passado nunca mais.”

Velha Roupa Colorida
(Belchior)

Belchior

Belchior

De acordo com o site do jornal O Povo, o cantor e compositor Belchior morreu na noite de 29.04.2017, em Santa Cruz do Rio Grande do Sul, aos 70 anos:

Familiares confirmaram o falecimento, entretanto, a causa ainda é desconhecida. O corpo deve ser trazido para o Ceará ainda hoje. O sepultamento deve ocorrer em Sobral.

A nota foi encontrada aqui.

O site Cultura ao Minuto diz que foi em 30.04.2017:

Em nota, o governador do Ceará, Camilo Santana, informou que decretou luto oficial de três dias no estado.

“O povo cearense enaltece sua história, agradece imensamente por tudo que fez e pelo legado que deixa para a arte do nosso Ceará. Que Deus conforte a família, amigos e fãs de Belchior”, escreveu em post no Facebook.

Leia mais clicando aqui.

A nota no Estadão diz que foi “na madrugada deste domingo, 30”, em Santa Cruz, no Rio Grande do Sul:

A família do artista já comunicou o governo do Ceará e pediu ajuda para realizar o translado do corpo para a cidade de Sobral, no Ceará, onde ele nasceu e será enterrado.

O governo do Ceará decretou luto de três dias no Estado pela morte de Belchior.

No Wikipedia:

Belchior (Sobral, 26 de outubro de 1946 – Santa Cruz do Sul, 30 de abril de 2017), foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso nacional, em meados da década de 1970.

Durante sua infância, no Ceará, foi cantador de feira e poeta repentista. Estudou música coral e piano com Acácio Halley. Seu pai tocava flauta e saxofone e sua mãe cantava em coro de igreja. Tinha tios poetas e boêmios. Ainda criança, recebeu influência dos cantores do rádio Ângela Maria, Cauby Peixoto e Nora Ney.

Foi programador de rádio em Sobral. Em 1962, mudou-se para Fortaleza, onde estudou Filosofia e Humanidades. Começou a estudar Medicina, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística. Ligou-se a um grupo de jovens compositores e músicos, como Fagner, Ednardo, Rodger Rogério, Teti, Cirino entre outros, conhecidos como o Pessoal do Ceará.

Leia mais clicando aqui.

No site Livre Opinião:

Belchior, maestro genioso, de voz grave, não precisava de gogó, somente necessitava declamar os versos de um simples rapaz latino americano que brigou pela liberdade de expressão, mudanças sociais e o conflito interno de se encaixar na sociedade múltipla, desencadeou em um clássico da música brasileira: o álbum “Alucinação”, de 1976.

No disco, sucessos que consagraram Belchior e, sem exagero, transformaram-no em uma lenda viva. “Como Nossos Pais” e “Velha Roupa Colorida”, de seus versos imortalizados na voz única de Elis Regina, transcenderam para a vida de gerações. O árduo serviço de um poeta que transmitiu a angústia da tradição familiar grudada na juventude, em que demonstra a rebeldia passageira, mas necessária de enfrentamento da vida, tendo como combustível a raiz cultural e o não abandono do sonho, sangue e América do Sul, muito a presença da identidade que construímos – ditas em “À Palo Seco”.

“[…]
Tenho 25 anos de sonho, de sangue
E de América do Sul
Por força deste destino
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
E eu quero é que esse canto torto feito faca
Corte a carne de vocês”.

A força desta música invade o interior da mente e luta contra a moda exterior, finca a necessidade da cultura em que está inserido de nascença, não negando o lirismo e o jogo poético elaborado pelo cantor.

Leia mais clicando aqui.

No ano de 2012 ele novamente desapareceu, juntamente com a sua mulher, de um hotel 4 estrelas na cidade de Artigas, no Uruguai. Deixou para trás uma dívida de diárias e pertences pessoais. Ao ser identificado passeando por Porto Alegre afirmou que as noticias sobre a dívida no Uruguai não seriam verdadeiras.

No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais (Belchior)

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