Rémy Kolpa Kopoul (1949-2015)

De acordo com o site do jornal O Globo, morreu nas primeiras horas de domingo, 03.05.2015, na cidade de Brest, aos 66 anos, o jornalista, apresentador de rádio e DJ francês Rémy Kolpa Kopoul:

Nascido em Paris, RKK (como era conhecido) foi um dos primeiros a lançar as bases do que seria chamado de “world music” Um dos fundadores, em 1973, do jornal “Libération” (onde atuou como especialista em música até 1987), ele era um grande especialista em cultura brasileira, ele estava em Brest para um concerto de caridade em prol da família do percussionista argentino (radicado no Brasil) Ramiro Musotto, que morreu em 2009 de câncer. A causa da morte de Rémy (que ocorreu durante o sono) não foi divulgada.

Rémy começou no rádio, ainda estudante do ensino médio, e atuou na France Musique (1977), Radio 7 (1981-1983) e, especialmente, na Rádio Nova, a partir dos anos 1990. “Rémy foi um dos pilares da Rádio Nova”, disse o programador da emissora Ruddy Aboab, para quem o colega fez “muito para a música ao redor do mundo, com uma preferência para a música brasileira”.

O contato do francês com os artistas brasileiros se deu quando ele era um militante político e conheceu Caetano Veloso e outros músicos que foram buscar asillo político na Europa. Mais tarde, ele ficaria ligado a Gilberto Gil, João Bosco, João Gilberto e Chico Buarque, além de outros artistas a quem ajudaria a organizar turnês. Recentemente, Rémy tinha se aproximado dos rappers brasileiros Emicida e Criolo.

Em abril, Rémy conseguiu levar aos palcos a comédia musical que havia imaginado 30 anos atrás, sobre a história do amor entre o Brasil e a França no início do Século XX. “K Rio K” estreou no Nouveau Théâtre de Montreuil, tendo no elenco a amiga e cantora Mariana de Moraes, neta de Vinicius. “Meu amor, meu amigo! Não consigo parar de sentir sua falta desde que entrei no avião faz uns dias…Eu queria ficar, e muito por sua causa. Porque você foi o melhor amigo que eu tive nessa vida! Te amo!”, escreveu Mariana, emocionada, no Facebook.

RKK descobriu a música africana como repórter do “Líbération”: da rumba zairense e do highlife em Gana ao trabalho de artistas como Kassav, Touré Kunda, Salif Keita e Manu Dibango, não houve quem ele não ajudasse a divulgar.

Durante seus anos, ele apresentou aos domingos na Radio Nova o programa “Contrôle discal”, em que mergulhava na discoteca particular de algum artista. Recentemente, ele invertreu a regra, e os convidados passaram a mergulhar em sua coleção de mais de cinco mil discos.

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