Altamiro Carrilho (1924-2012)

Altamiro Carrilho

Altamiro Carrilho

De acordo com o Correio Braziliense, o músico Altamiro Carrilho, de 87 anos, morreu de câncer, na manhã desta quarta-feira [15.08.2012], no Rio de Janeiro:

Natural de Santo Antônio de Pádua, o flautista teve sua iniciação no mundo da música cedo, aos cinco anos ele já tirava som de uma flauta de bambu. A partir dos anos 70, ele foi bastante requisitado para tocar com cantores da MPB em shows e também em gravações de CD.

Altamiro se apresentou em maio na capital federal. O músico veio para participar do projeto Meu caro amigo Chico Buarque do Clube do Choro. Foram três dias de apresentações. Na época, uma das fundadoras do Clube do Choro rasgou elogios ao flautista. “”Não tenho dúvida que, depois de Pixinguinha, Altamiro Carrilho foi o melhor flautista que ouvi. Ultimamente, tenho voltado aos discos dele e fico impressionada com a técnica que criou para tocar o instrumento”, afirmou Dolores Tomé.

Além de flautista, o músico também era compositor. Ele chegou a compor mais de 200 canções, entre elas, versões de peças eruditas escritas por Bach, Beethoven, Mozart e Tchaikovski.

A nota foi encontrada aqui.

Altamiro Carrilho

Altamiro Carrilho

No portal G1:

Na segunda-feira (13) ele passou mal e foi levado para uma clínica particular em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Ainda não há informações sobre o enterro do músico. Segundo a família, Altamiro esteve internado durante muito tempo com problemas pulmonares, que o deixaram bastante debilitado.

Altamiro foi um virtuoso da flauta transversal, com mais de 200 músicas compostas e uma centena de discos gravados.

A nota foi encontrada aqui.

Uma entrevista ao Jornal Copacabana em 2005:
http://www.jornalcopacabana.com.br/ed124/fvizinho124.html

O Wikipedia cita o nome completo do músico, Altamiro Aquino Carrilho, que nasceu em Santo Antônio de Pádua em 21 de dezembro de 1924, e apresenta sua discografia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Altamiro_Carrilho

Ficha do músico no Dicionário Cravo Albin:
http://www.dicionariompb.com.br/altamiro-carrilho

No Globo Online:

Altamiro compôs cerca de duzentas canções e se apresentou em mais de quarenta países difundindo o choro brasileiro. Algumas de suas principais músicas são “Rio antigo”, “A galope”, “Acorda, Luiz”, “Bem Brasil” e “Canarinho teimoso”.

Altamiro ganhou a primeira flauta, aos 5 anos, como um presente de Natal. Em seguida começou a produzir seus prórpios instrumentos com bambu. Só aos 11 anos, passou a ter aulas de música gratuitas com um carteiro.

Em 1938, integrou a banda de seu avô “Banda Lira de Arion”, na qual tocava caixa de guerra. Pouco tempo depois, tocando flauta, venceu o programa de calouros de Ary Barroso.Trabalhou como farmacêutico e continuou seus estudos de música à noite, até conseguir comprar uma flauta de segunda mão e iniciar sua carreira.

Em 1951, entrou para o Regional do Canhoto, substituindo Benedito Lacerda, flautista, compositor e parceiro de Pixinguinha. Ainda na década de 50, com o grupo Altamiro e Sua Bandinha, teve programa na TV Tupi e emplacou o sucesso “Rio Antigo”, com mais de 700 mil cópias vendidas.

Nos anos 60, excursionou fora do país, e na década seguinte passou a ser um dos flautistas mais requisitados, por conta do movimento de redescoberta do choro. De sua discografia, os discos “Choros imortais” (1964) e “Choros imortais 2” (1965) figuram, para especialistas, como alguns dos trabalhos mais marcantes da história do gênero.

Altamiro, que recebeu o título de Cidadão Carioca, morava em Copacabana e, recentemente, havia sido internado no hospital São Lucas. Ele continuava tocando e participando de gravações, mas já sentia dificuldade para trabalhar nos últimos anos.

Leia mais clicando aqui.

Depoimentos de artistas sobre Altamiro (Fonte: Globo Online):

JOÃO CARLOS CARINO, produtor das caixas de DVDs “A fala da flauta” e de CDs “A poesia do sopro”
“Nós tivemos grandes flautistas no Brasil, mas poucos excelentes como Altamiro Carrilho. Ele reuniu as qualidades de Patápio Silva, Pixinguinha e Benedito Lacerda, com técnica, som incrível e improviso bonito”.

GILBERTO GIL
“Foi-se embora a nossa flauta mágica”.

HERMETO PASCOAL
“Hoje de manhã, antes de saber da morte dele, estava mexendo nuns cadernos e encontrei uma homenagem que compus para Altamiro Carrilho: ‘Modulatevando – Altamiro Carrilho espetacular’. Fiz no estilo dele, no dia 29/08/2008. Não cheguei a mandar, mas tenho certeza que ele ficaria feliz em tocar”.

FRANCIS HIME
“Cheguei com a introdução de ‘Meu caro amigo’ escrita, a ideia daquele ‘acelerando’ no final foi surgindo junto, na gravação, e ele fez improvisos maravilhosos. Chegamos a gravar juntos em outras ocasiões. Era uma figura onipresente. Músico criativo e pessoa muito bem-humorada. Era uma unanimidade entre os músicos, o que é raríssimo”.

BIA PAES LEME, coordenadora de música do Instituto Moreira Sales
“Altamiro Carrilho tocou no regional do Benedito Lacerda, e era considerado por ele o seu herdeiro. Era a mais perfeita tradução da flauta brasileira, um virtuoso que elevou o padrão dos instrumentos de sopro no Brasil. Altamiro é uma escola seguida por todos os músicos de choro”.

JOEL NASCIMENTO, bandolinista
“O que Jacob [do Bandolim] fez pelo bandolim no choro, Altamiro fez pela flauta. Ele era um autodidata que tinha um som muito dele, e que criou muita coisa. Tive o privilégio de viajar com ele para o Japão, junto com Elizeth Cardoso e o Zimbro Trio”.

GUINGA, que tocou com Altamiro na gravação de “O mundo é um moinho”, no disco de Cartola
“Foi a única vez em que tive a oportunidade de tocar com ele. Fiquei com medo de Altamiro ali, tremia. Porque ele tinha um ouvido maravilhoso. (…) Ele foi um gênio absoluto. Ele era meio Ronaldinho Gaúcho, o gênio se misturava com o malabarista. Tem uma gravação de “Pedacinho do céu” que é de chorar. Está entre as dez gravações mais bonitas de música instrumental brasileira.”

MÁRIO SÈVE, flautista
“Ele era uma formação mais popular, fora da escola acadêmica, desenvolveu tecnicamente o instrumento num nível absurdo. Altamiro é meu garrincha, meu pelé”

PAULO ARAGÃO, violonista
“Os anos 1950 tiveram as transformações nos arranjos do Radamés Gnattali, as composições do Garoto, o nascimento da Bossa Nova, e ele traduziu isso de certa forma para o choro. Acha que o lado dele de compositor acabou ficando meio ofuscado pelo lado de intérprete, porque era um virtuose, chamava muita atenção nos shows e tocou com praticamente todo mundo da música brasileira”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s